domingo, 29 de novembro de 2009

Le Corbusier no Rio de Janeiro



Em 1936, depois de estar com Lê Corbusier em Paris, Lúcio Costa escreveu ao presidente Getúlio Vargas convencendo-o da importância da presença do arquiteto no Brasil. Depois de muita insistência e de vencer vários entraves peculiares do serviço público, finalmente, pode realizar um antigo desejo.

Lúcio Costa já era um arquiteto conhecido quando se deu seu primeiro contato com Lê Corbusier em Paris. Era diretor da Escola Nacional de Belas Artes e já havia feito incursões em outros países. A vinda de Le Corbusier ao Brasil aconteceu através da influência do arquiteto junto ao presidente. Le Corbusier permaneceu durante quatro semanas no Rio de Janeiro trabalhando no escritório de Lúcio Costa.


Dentro de seu conceito urbanístico ligado à arquitetura moderna, Le Corbusier apresentou propostas para a cidade do Rio de Janeiro. A cidade planejada continha quatro princípios fundamentais, são eles:

- Descongestionamento do centro das cidades, para fazer frente às exigências de trânsito;
- Aumento da densidade dos centros das cidades, para realizar o contato exigido pelos negócios;
- Aumento dos meios de circulação, ou seja, modificar completamente a atual concepção de rua que se acha sem efeito ante o fenômeno novo dos meios de transporte modernos: metrôs ou carros, bondes, aviões;
- Aumento das superfícies arborizadas, único meio de assegurar a higiene suficiente e a calma útil ao trabalho atento exigido pelo ritmo dos novos negócios.

Segundo Le Corbusier, os antigos centros foram construídos sem planejamento com ruas estreitas que impediam a circulação os novos meios de transporte. O novo centro seria construído com vias expressas onde a velocidade seria primordial. No centro, estariam situados os arranha-céus, mas construídos obedecendo a uma média proporcional, pois os altos edifícios não devem fazer com que o homem se angustie diante de seu tamanho. Portanto, o novo centro da cidade serve ao trabalho e não ao lazer. Centro da cidade = sede dos negócios; e quanto maior é a densidade da população de uma cidade, menores são as distâncias a percorrer.

Para ele, uma das marcas do atraso em que estavam impregnadas as cidades antigas, eram as ruas estreitas, cheias de encruzilhadas e pouca funcionalidade. A cidade moderna deveria possuir ruas largas com pouquíssimos cruzamentos para que não houvesse possibilidade de aglomeração de carros, dificultando assim o deslocamento pela cidade. Para Le Corbusier, “a cidade que dispõe da velocidade, dispõe do sucesso”.

A cidade planejada deveria possuir módulos de 400 metros cada um: “Minha cidade é traçada sobre um quadriculado regular de ruas espaçadas de 400 metros e cortadas, às vezes, a 200 metros. Esse sistema tríplice de ruas sobrepostas atende à circulação do automóvel, todos eles órgãos rápidos e maleáveis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário